sexta-feira, 30 de julho de 2010

O caso do site grátis que deu certo

Recentemente li em um artigo postado no portal da ADNews, referente cada vez mais o amplo debate de pagamento de conteúdo jornalístico na internet, isso parece ter sempre as mesmas duas opções: cobrar os leitores pelo acesso e correr o risco de perdê-los ou não cobrar e correr o risco de ir à falência.

O jornal britânico Daily Mail, no entanto, parece ter conseguido driblar o problema. Com 1,9 milhão de cópias vendidas diariamente e 40 milhões de visitantes únicos por mês em seu site, o Mail é hoje um exemplo de sucesso no jornalismo do Reino Unido. Em 2009, os rivais Telegraph e Guardian ainda conseguiam, por vezes, competir de perto com o Mail. Mas agora, com crescimento de 72% ao ano, seu site atingiu um novo patamar.

Os críticos dizem que o jornal conseguiu aumentar o tráfego apelando para o sensacionalismo: com fotos e fofocas de celebridades. Mas talvez a acusação não seja inteiramente justa. O site do Mail consegue evitar a cobrança de conteúdo porque, na prática, não precisa dela. O tráfego traz publicidade cada vez mais rápida, e com isso o Mail online consegue se manter. Em breve, acredita seu editor-chefe, deverá atingir o tão almejado lucro. Simples – e talvez daí venham as críticas.

Sobre regras e nichos

Em artigo do Observer reproduzido no site do Guardian, Peter Preston [18/7/10] argumenta aos críticos que não existem regras que obrigam os jornais online a serem cópias exatas de seus irmãos impressos. Também não há regras dizendo que o sucesso financeiro de um jornal impresso é o mesmo quando ele é transferido para a tela do computador. O tablóide Sun, por exemplo, vai bem nas vendas de papel, mas, com 20 milhões de visitantes únicos por mês em seu site, acabou ultrapassado pelos rivais.

"O mercado online, assim como o mercado impresso, está começando a apresentar regras próprias", diz Preston. Assim como não acredita em cobrança online, o Mail também não acredita em redações misturadas: a equipe que faz o jornal é separada da equipe que faz o site. Neste caso, a política de não-integração funciona. Com 16 milhões de visitantes únicos no Reino Unido e 23,6 milhões no resto do mundo, o site construiu uma boa rede de leitores fiéis. "E quando estamos lidando com nichos e alvos – para leitores e para anunciantes – a cobrança online se torna apenas uma parte do debate, e não a solução final".

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